A crescente movimentação de cargas no Porto de Santos tem colocado o maior complexo portuário da América Latina próximo do limite de sua capacidade operacional. O cenário já começa a refletir diretamente nos custos logísticos, especialmente na movimentação de contêineres.
Levantamento da Neowise Consultoria aponta que, entre 2019 e 2026, o valor médio do Terminal Handling Charge (THC), tarifa cobrada pela movimentação de contêineres nos terminais, passou de uma faixa entre US$ 70 e US$ 100 por TEU (contêiner de 20 pés) para cerca de US$ 500. O aumento acompanha o crescimento das filas para atracação de navios, que saltaram de aproximadamente nove horas em 2019 para cerca de 35 horas em 2024, o que além de elevar custos portuários, compromete o planejamento das operações, aumenta despesas com armazenagem e transporte e reduz a previsibilidade para importadores e exportadores. Estudos também apontam o aumento das chamadas “omissões de escala”, quando armadores deixam de atracar em determinados portos devido ao congestionamento, atrasando entregas e impactando o fluxo das cargas.
Embora haja consenso sobre a necessidade de investimentos, o setor diverge quanto às causas do problema. Enquanto consultores apontam a saturação dos terminais de contêineres como principal fator para a alta dos custos, representantes dos operadores portuários defendem que os maiores gargalos estão na infraestrutura de acesso aos portos, especialmente nas ligações rodoviárias e ferroviárias, além da necessidade de ampliar o uso de outros modais, como as hidrovias.
Caso esse cenário persista, especialistas alertam para o risco de perda de competitividade do Brasil nas rotas marítimas internacionais. O aumento dos congestionamentos pode reduzir o interesse dos armadores em operar navios de maior porte no país, elevando ainda mais os custos do transporte internacional.
Entre as principais soluções discutidas está o Tecon Santos 10, megaterminal de contêineres projetado para atrair cerca de R$ 6 bilhões em investimentos e ampliar em aproximadamente 50% a capacidade de movimentação desse tipo de carga no Porto de Santos. No entanto, o leilão do empreendimento segue sem definição e já foi adiado pelo governo pelo menos oito vezes.
