Os fretes marítimos internacionais seguem pressionados. O Índice Composto de Contêineres (KOBC) atingiu 4.506 pontos na semana encerrada em 27 de agosto, alta de 2,57% em relação à semana anterior e a quarta elevação consecutiva do indicador.
O avanço não ocorre de maneira uniforme entre as principais rotas. Enquanto os índices para a Europa e o Mediterrâneo recuaram, os trajetos com destino aos Estados Unidos e, principalmente, à América Latina apresentaram aumentos relevantes.
Na costa oeste da América Latina, o indicador registrou a maior alta da semana, de 11,1%, chegando a 6.145 pontos. Já na costa leste, o crescimento foi de 7,07%, para 7.149 pontos.
As rotas norte-americanas também permaneceram em alta. O índice para a costa leste dos Estados Unidos chegou a 10.311 pontos, avanço de 3,3%, enquanto a costa oeste registrou crescimento de 2,74%, alcançando 7.095 pontos. Em sentido contrário, a Europa apresentou queda de 2,93%, e o Mediterrâneo recuou 3,35%.
A sequência de altas ocorre em um momento de maior pressão sobre a logística marítima internacional. Demanda aquecida, redução da disponibilidade de espaço em determinadas rotas, ajustes de capacidade realizados pelos armadores e tensões geopolíticas vêm interferindo na oferta e nos custos do transporte.
Nas últimas semanas, esse cenário também tem sido acompanhado por blank sailings, omissões de portos, alterações frequentes nos schedules e congestionamentos em importantes hubs asiáticos, fatores que reduzem a previsibilidade das operações e podem repercutir sobre a disponibilidade de espaço.
Para as rotas latino-americanas, a intensidade da alta chama atenção justamente porque ocorre em um mercado que já vinha operando com fretes elevados.
O que muda para importadores e exportadores? A elevação do frete pode aumentar o custo de aquisição de mercadorias e insumos importados e, ao mesmo tempo, comprometer margens e competitividade de produtos brasileiros destinados ao exterior.
Além do preço, a disponibilidade de espaço e a confiabilidade das programações passam a pesar ainda mais no planejamento dos embarques. Com quatro semanas consecutivas de alta e aumentos mais fortes nas rotas latino-americanas, acompanhar as tarifas e antecipar bookings pode ajudar a reduzir a exposição a novos ajustes.
O comportamento das próximas semanas será importante para indicar se a pressão observada em agosto continuará avançando ou se os fretes encontrarão algum nível de estabilização. Para quem tem embarques programados, porém, o cenário já recomenda considerar custos mais altos e possíveis alterações de programação no planejamento logístico.
