Notícias

Frete marítimo recua, mas armadores seguem ajustando capacidade para conter queda dos preços

O frete marítimo internacional registrou uma nova queda na primeira semana de outubro, mas a redução dos preços não significa necessariamente maior estabilidade para importadores e exportadores. Os armadores continuam ajustando a oferta de capacidade nas principais rotas comerciais, com cancelamentos de viagens e mudanças nas programações para equilibrar a disponibilidade de espaço à demanda por transporte.

Segundo o World Container Index (WCI), divulgado pela consultoria Drewry em 8 de outubro, o valor médio do frete caiu 2%, chegando a US$ 4.351 por contêiner de 40 pés. O recuo foi influenciado principalmente pela redução da demanda durante a Golden Week, período de feriados na China que provoca interrupções temporárias na produção industrial e nos fluxos de exportação.

Nas rotas transpacíficas, o frete de Xangai para Los Angeles caiu 3%, chegando a US$ 7.624 por contêiner de 40 pés. Já a ligação entre Xangai e Nova York registrou queda de 2%, para US$ 10.220. Entre Ásia e Europa, o frete de Xangai para Roterdã também recuou 2%, alcançando US$ 3.337, enquanto a rota para Gênova permaneceu estável em US$ 3.696.

Mesmo com a queda dos preços, as companhias marítimas seguem administrando a capacidade disponível por meio dos chamados blank sailings, cancelamentos de viagens programadas que reduzem temporariamente a oferta de transporte.

No Transpacífico, a Drewry identificou 11 cancelamentos na semana de 8 de outubro, com previsão de quatro na semana seguinte, indicando uma recuperação da capacidade ofertada. Já nas rotas entre Ásia e Europa, o movimento é diferente. Os cancelamentos previstos passam de cinco para seis, enquanto os armadores tentam conter a queda dos fretes por meio de reajustes nas tarifas FAK (Freight All Kinds) para a segunda quinzena de outubro.

A pressão sobre os preços também está relacionada à retomada de viagens pelo Canal de Suez, que pode ampliar a capacidade disponível nas rotas entre Ásia e Europa. Segundo a Drewry, os fretes nesse corredor acumulam 13 semanas consecutivas de queda.

A redução dos fretes pode representar uma oportunidade de negociação, mas exige atenção às condições efetivas de transporte. Isso porque os preços mais baixos convivem com cancelamentos de viagens, ajustes de capacidade e possíveis alterações nos schedules dos navios. Para as empresas, o desafio é avaliar não apenas o valor do frete, mas também a disponibilidade de espaço, a frequência dos serviços e a confiabilidade dos prazos oferecidos pelos armadores. Embora o WCI acompanhe rotas internacionais que não incluem diretamente o comércio entre China e Brasil, seus resultados ajudam a compreender o comportamento do mercado marítimo global e as estratégias adotadas pelas companhias de navegação. O cenário mostra que a queda dos preços não elimina os riscos logísticos. Enquanto os armadores ajustam a capacidade e tentam sustentar as tarifas, importadores e exportadores precisam acompanhar as programações e considerar possíveis mudanças de prazo no planejamento dos embarques.

Compartilhe:

Outras Notícias