As compras internacionais já fazem parte da rotina de uma parcela significativa dos consumidores brasileiros. Pesquisa da CNDL e do SPC Brasil mostra que 61% dos consumidores digitais adquiriram ao menos um produto importado nos últimos 12 meses, o equivalente a aproximadamente 81,2 milhões de pessoas. Em apenas um ano, foram 13,1 milhões de novos compradores.
O preço continua sendo um dos principais atrativos das compras no exterior. Entre os fatores considerados na escolha de uma plataforma internacional estão preços mais baixos (39%), confiabilidade do site (37%), valor do frete (37%) e acesso a produtos que não são encontrados no mercado brasileiro (32%).
Roupas lideram a lista dos itens adquiridos no exterior, mencionadas por 45% dos consumidores, seguidas por acessórios de moda (28%), calçados (25%), cosméticos e perfumes (25%) e acessórios para celulares e informática (22%).
O levantamento também mostra mudanças na jornada de compra. Redes sociais (41%), anúncios na internet (40%) e mecanismos de busca (37%) continuam sendo importantes canais para a descoberta de produtos e plataformas estrangeiras. A inteligência artificial também começa a aparecer nesse processo: 15% dos entrevistados afirmaram utilizar ferramentas como ChatGPT, Gemini, Claude e DeepSeek para descobrir opções de compras internacionais.
-> Mercado nacional ainda tem vantagens competitivas
Apesar do crescimento das importações pelo consumidor final, a pesquisa revela espaço importante para o comércio brasileiro. 61% afirmam que dariam preferência a sites nacionais se encontrassem preços e variedade equivalentes. Além disso, 53% sempre verificam se o produto está disponível no Brasil antes de recorrer ao exterior.
O prazo de entrega também pesa nessa decisão. Diante da possibilidade de receber uma compra nacional em até três dias pagando até 10% a mais, 33% prefeririam pagar pela rapidez e outros 46% afirmaram que a decisão dependeria da necessidade do momento. Já entre as principais desvantagens das compras internacionais aparecem as taxas de importação (41%), o tempo de entrega (36%), o frete (27%) e o risco de fraudes (24%).
As compras internacionais seguem avançando no Brasil, mas a disputa pela preferência do consumidor está longe de ser definida apenas pelo preço. Prazo de entrega, variedade, tributação e conveniência também pesam na escolha entre plataformas estrangeiras e o comércio nacional. Os dados mostram um consumidor cada vez mais aberto ao mercado global, mas que continua enxergando vantagens na compra dentro do país quando encontra condições competitivas.
