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Crédito passa a priorizar empresas afetadas por tarifas e tensões internacionais

O governo federal publicou uma portaria conjunta do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e do Ministério da Fazenda que define os setores elegíveis para acessar os R$ 15 bilhões adicionais do Plano Brasil Soberano. Os recursos são voltados a empresas impactadas por mudanças no cenário internacional, incluindo medidas tarifárias dos Estados Unidos e efeitos da guerra no Oriente Médio.

A seleção prioriza setores de média, média-alta e alta intensidade tecnológica, com relevância estratégica para o comércio exterior brasileiro e presença em cadeias produtivas consideradas sensíveis. Também entram no recorte empresas com exposição a mercados afetados por restrições comerciais ou instabilidade geopolítica.

A medida direciona recursos para áreas como máquinas e equipamentos, indústria automotiva, produtos químicos e farmacêuticos, eletrônicos, equipamentos de transporte, além de segmentos ligados a minerais críticos e terras raras. Os recursos poderão ser utilizados para capital de giro, aquisição de bens de capital, ampliação da capacidade produtiva, adaptação de processos e investimentos em inovação tecnológica.

Um ponto relevante está nos critérios de elegibilidade voltados a mercados específicos. Empresas com participação significativa de exportações para os Estados Unidos ou países do Golfo Pérsico podem acessar os recursos, desde que comprovem impacto em suas operações.

Esse movimento reforça uma agenda de fortalecimento de cadeias produtivas e redução de vulnerabilidades externas, em um contexto de maior instabilidade no comércio internacional.

Ao mesmo tempo, a medida sinaliza uma mudança na forma como o financiamento se conecta à estratégia de comércio exterior. O acesso ao crédito passa a acompanhar não apenas o desempenho das empresas, mas também o nível de exposição a riscos globais. Em um cenário mais sensível a fatores externos, decisões sobre investimento, produção e mercado passam a considerar, com mais peso, a capacidade de adaptação das operações.

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