O Brasil possui mais de 8 mil quilômetros de litoral, mas ainda utiliza pouco essa capacidade. Um estudo recente da Confederação Nacional da Indústria aponta que a ampliação da cabotagem no Brasil pode reduzir em até 8,2% as emissões de CO₂ do transporte de cargas. O levantamento reforça o potencial do modal marítimo como alternativa para melhorar a eficiência logística e reduzir o chamado Custo Brasil. Atualmente, apenas cerca de 9% do transporte de cargas é feito por cabotagem, enquanto o modal rodoviário concentra a maior parte das operações.
No longo prazo, o volume de contêineres transportados por cabotagem pode quadruplicar, mas isso depende de avanços em infraestrutura, redução de burocracia e maior integração entre modais. Além do ganho ambiental, a mudança na matriz logística pode gerar impactos operacionais relevantes. Em rotas de longa distância, o transporte marítimo tende a ser mais eficiente, com menor custo por volume transportado e menor exposição a riscos como acidentes, roubos e congestionamentos.
Ao mesmo tempo, o estudo reforça que a cabotagem não substitui o transporte rodoviário, mas atua de forma complementar. A integração entre os modais aparece como um dos principais caminhos para aumentar a eficiência da logística no país.
Entre os desafios apontados estão a necessidade de investimentos em portos, melhoria no acesso logístico, ampliação da capacidade operacional e simplificação de exigências regulatórias, que ainda tratam a cabotagem de forma semelhante ao transporte internacional.
A perspectiva de avanço da cabotagem coloca em evidência que, no comércio exterior e na logística, a eficiência não depende apenas de custo, mas da forma como a operação está estruturada. Como sua empresa avalia o uso de diferentes modais para ganhar eficiência e competitividade nas operações?
