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Por que nem todo produto barato na China resulta em uma importação competitiva

A China ocupa uma posição central nas importações brasileiras e está presente no planejamento de fornecimento de empresas de diferentes setores. Mas, na hora de estruturar uma operação, olhar apenas para preço, margem ou demanda deixa de considerar o fato de que cada categoria de produto traz exigências tributárias, regulatórias e logísticas próprias.
Máquinas e equipamentos, eletrônicos, autopeças, ferramentas, embalagens, utilidades domésticas e componentes para energia renovável estão entre as diversas categorias adquiridas no mercado chinês. Embora tenham a mesma origem, cada produto pode seguir caminhos bastante diferentes até sua entrada regular no mercado brasileiro.

A classificação fiscal é um dos primeiros pontos de atenção
A Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) influencia diretamente o tratamento tributário e administrativo da mercadoria. É a classificação correta do produto que permite identificar os tributos incidentes e verificar a existência de exigências específicas, como licenças, certificações ou anuências.

Dependendo da mercadoria, podem existir requisitos de órgãos como Anvisa, Inmetro, Ibama ou outras autoridades competentes. Por isso, composição, finalidade, características técnicas e aplicação do produto precisam ser conhecidas antes do fechamento da operação.

Uma diferença aparentemente pequena na especificação pode alterar a classificação fiscal e, consequentemente, os custos e as exigências aplicáveis à importação.

O risco muda de acordo com o produto e com a operação
Em máquinas e equipamentos industriais, por exemplo, aspectos como especificações técnicas, segurança, adequação às normas aplicáveis e compatibilidade com a estrutura da empresa podem ganhar maior relevância.

No varejo e no e-commerce, além da conformidade do produto, entram no planejamento questões como giro de estoque, volume mínimo de compra, prazo de reposição, custos logísticos e modelo adotado para a importação.

Já em operações de maior volume, a avaliação do fornecedor ganha ainda mais peso. Capacidade produtiva, histórico comercial, controle de qualidade e cumprimento dos prazos precisam ser analisados para reduzir a exposição a problemas que podem comprometer estoque e capital de giro.

Preço de fábrica não determina sozinho a viabilidade
Uma mercadoria com preço competitivo na origem não necessariamente resultará em uma boa operação de importação.
Antes da compra, é necessário considerar classificação fiscal, tributos, frete internacional, seguro, despesas aduaneiras, armazenagem, possíveis exigências regulatórias e demais custos envolvidos até a disponibilização do produto no Brasil.

Também é importante avaliar se a empresa possui demanda e estrutura comercial suficientes para absorver o volume importado. Uma margem aparentemente elevada pode perder relevância diante de baixo giro, custos de estoque ou dificuldades de comercialização.

Planejamento é fundamental
Uma importação bem estruturada exige que diferentes decisões sejam tomadas antes que a mercadoria deixe a origem. Entre elas estão a validação do fornecedor e do produto, a classificação fiscal, a análise do tratamento administrativo, o levantamento dos custos da operação e a definição da estratégia logística.

A escolha do Incoterm, do modal e da modalidade de transporte também interfere no nível de controle, nos custos e nas responsabilidades assumidas pelas partes.

Escolher o que importar é uma decisão de gestão de riscos. Quanto mais diversificado o portfólio, maior a necessidade de integrar as áreas comercial, tributária, regulatória e logística para avaliar a viabilidade de cada operação. Na sua empresa, a análise de um novo produto começa pelo preço de compra ou pela viabilidade completa da operação?

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