As exportações brasileiras de produtos beneficiados pelo acordo comercial entre Mercosul e União Europeia cresceram 21% entre maio e setembro de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior. O resultado, divulgado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), considera mercadorias contempladas pela redução ou eliminação de tarifas de importação no mercado europeu.
O acordo começou a ser aplicado provisoriamente em 1º de maio de 2026 e estabelece novas condições comerciais entre os dois blocos, incluindo a redução gradual de tarifas e a ampliação do acesso a mercados. O desempenho foi positivo para o agronegócio brasileiro. Segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), as exportações do setor para os 27 países da União Europeia alcançaram US$ 12,21 bilhões entre maio e setembro, crescimento de 14,8% em valor em relação ao mesmo período de 2025. Em volume, foram embarcadas 17,74 milhões de toneladas, alta de 8,1%.
Alguns segmentos apresentaram aumentos expressivos nas vendas. Os produtos apícolas, principalmente o mel, registraram crescimento de 367% em valor. As exportações de carnes avançaram 103,5%, enquanto os produtos oleaginosos, excluindo a soja, cresceram 161%. Outros produtos brasileiros que registraram crescimento nas vendas são óleo de milho, abacate e equipamentos industriais.
O complexo soja permaneceu como o principal grupo de produtos do agronegócio brasileiro exportados à União Europeia, com crescimento de 34,2% em valor. As vendas de soja em grãos aumentaram 49%, enquanto as de farelo de soja avançaram 22,5%. Outros produtos também apresentaram resultados positivos, como manga, maçã e café torrado.
Vale lembrar que a redução das tarifas de importação pode tornar determinados produtos brasileiros mais competitivos no mercado europeu, ampliando as possibilidades de negociação e diversificação de clientes. Entretanto, o aproveitamento das preferências comerciais depende do enquadramento de cada mercadoria nas condições previstas pelo acordo, incluindo cronogramas de redução tarifária, regras de origem e eventuais exigências específicas para o acesso ao mercado europeu.
Para as empresas exportadoras, é importante verificar quais produtos já estão contemplados pelos benefícios, quais tarifas são aplicáveis e quais documentos são necessários para utilizar as condições preferenciais. Os resultados dos primeiros cinco meses mostram crescimento nas vendas de produtos beneficiados, embora esse desempenho não possa ser atribuído exclusivamente à redução tarifária, já que fatores como demanda, preços internacionais e volumes comercializados também influenciam as exportações.
