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Mercosul–UE: mais de 5 mil produtos brasileiros terão imposto zerado e acordo amplia espaço para a indústria

Com o acordo entre Mercosul e a União Europeia mais de cinco mil produtos brasileiros passarão a ter imposto de importação zerado no mercado europeu quando o tratado entrar em vigor.

Um levantamento feito pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que oito em cada dez produtos atualmente exportados pelo Brasil à União Europeia deixarão de pagar tarifa de importação já no primeiro dia de vigência do acordo. Ao todo, são mais de 5 mil itens beneficiados de forma imediata.

Do lado brasileiro, o processo de abertura será gradual: o país terá entre 10 e 15 anos para eliminar tarifas sobre cerca de 4,4 mil produtos importados da União Europeia, permitindo uma adaptação progressiva da indústria nacional.

Para a CNI, o acordo representa a decisão comercial mais relevante das últimas décadas para o setor industrial. O impacto não se restringe às grandes empresas: pequenas e médias indústrias também devem sentir efeitos positivos no curto prazo, especialmente aquelas já inseridas em cadeias exportadoras.

Um dos exemplos é o café torrado e moído, que passa a contar com cotas ampliadas e tarifa zero para acesso ao mercado europeu. Em um cenário de maior previsibilidade e redução de custos, produtores e processadores podem planejar expansão, investimentos e agregação de valor.

Em 2024, o Brasil exportou cerca de US$ 48 bilhões para a União Europeia, que hoje é o segundo maior mercado externo do país. Além disso, o bloco europeu é o principal investidor estrangeiro no Brasil: em 2023, os investimentos europeus somaram US$ 321 bilhões, o equivalente a 31,6% do total de investimento direto externo no país.

Segundo a CNI, o acordo abre espaço para retomar e aprofundar parcerias industriais históricas com países como Alemanha, França, Suécia e Itália, relações que, no passado, foram fundamentais para o desenvolvimento dos setores de máquinas e equipamentos, químico e automotivo no Brasil.

Além do comércio de bens, a expectativa é que o acordo impulsione novos investimentos, especialmente em áreas ligadas à transição energética, inovação e sustentabilidade, temas centrais tanto para o Brasil quanto para a União Europeia.

Para especialistas da CNI, há um potencial ainda pouco explorado de integração produtiva, que pode fortalecer cadeias industriais, aumentar a competitividade brasileira e ampliar a participação do país em segmentos de maior valor agregado.

O acordo Mercosul–União Europeia redefine o acesso da indústria brasileira ao mercado europeu, amplia previsibilidade, estimula investimentos e reposiciona o Brasil em cadeias globais mais sofisticadas. Para quem atua no comércio exterior, o desafio agora é entender cronogramas, regras de origem e oportunidades setoriais, porque a tarifa zero é só o começo.

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