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El Niño entra no radar do comércio exterior e pode pressionar o escoamento da safra

A possibilidade de ocorrência de um El Niño mais intenso durante a safra brasileira de 2026/27 já coloca empresas do agronegócio e da logística em estado de atenção. Os efeitos do fenômeno podem atingir não apenas a produtividade agrícola, mas também a infraestrutura utilizada para transportar a produção até os mercados consumidores e os portos de exportação.

O impacto depende da intensidade do fenômeno, da distribuição das chuvas e do período em que ocorrer. Uma das principais atenções está voltada para os rios utilizados no transporte de cargas agrícolas no Norte do país. Períodos de menor precipitação podem reduzir os níveis das águas e limitar a navegabilidade das barcaças, exigindo alterações nos comboios e na programação logística.

No rio Tapajós, importante corredor para o escoamento de grãos pelo Arco Norte, estimativas apresentadas pelo setor indicam que até 5 milhões de toneladas de grãos poderiam deixar de ser transportadas pela hidrovia caso as condições de navegação sejam comprometidas e não haja intervenções de manutenção. Parte desse volume teria de buscar alternativas terrestres, o que poderia representar até R$ 850 milhões em custos adicionais de frete.

O impacto também pode alcançar as ferrovias. Uma eventual redução da produção agrícola significa menor volume disponível para transporte, afetando a demanda ao longo de diferentes elos da cadeia logística.

Para empresas envolvidas no comércio exterior, isso significa incorporar uma variável adicional ao planejamento de estoques, contratos, rotas e prazos de entrega. O tema ganha ainda mais relevância diante da expansão das exportações agrícolas brasileiras e da necessidade de transportar volumes cada vez maiores. Quanto maior a participação do país no mercado internacional, maior também a importância de uma infraestrutura capaz de responder às oscilações climáticas sem comprometer o fluxo das mercadorias.

Sua empresa considera os riscos climáticos na definição de rotas, custos e alternativas para o escoamento das cargas?

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